Por: Equipe Pellevet | Vexa Animal
Quando pensamos em cavalos, normalmente imaginamos força, resistência e rusticidade. No entanto, a pele dos equinos é sensível e pode ser afetada por diversas condições dermatológicas capazes de comprometer não apenas a aparência do animal, mas também seu conforto, desempenho e bem-estar.
Diferentemente de cães e gatos, os cavalos vivem em contato constante com desafios ambientais importantes: lama, umidade, insetos, pastagens molhadas, radiação solar intensa, suor e resíduos presentes em baias ou piquetes.
Por isso, os cuidados com a pele e a pelagem precisam fazer parte da rotina de manejo. Neste artigo, explicamos os principais desafios da dermatologia equina, com atenção especial à dermatite de quartela, uma condição frequente e frustrante para muitos proprietários e criadores.
Os desafios ambientais e a pele equina
A pele do cavalo possui alta densidade de glândulas sudoríparas, o que permite uma termorregulação eficiente durante exercícios e períodos de calor.
Por outro lado, suor, umidade persistente, sujeira e exposição a agentes irritantes podem favorecer alterações na barreira cutânea. Quando a pele permanece úmida ou contaminada por longos períodos, sua camada mais externa pode se tornar mais vulnerável a irritações, lesões e infecções secundárias.
Áreas como a região inferior dos membros, especialmente as quartelas, merecem atenção diária. Elas ficam mais expostas à lama, fezes, urina, água acumulada, vegetação, atrito e pequenos traumas.
Um ambiente limpo, seco e bem manejado é uma das medidas mais importantes para proteger a saúde dermatológica dos equinos.
Dermatite de quartela: um problema comum nos cavalos
A Dermatite de Quartela Equina, também conhecida como EPD, febre da lama, sarna de pata ou agrião, não é uma doença única.
Ela é considerada um padrão de reação cutânea multifatorial que afeta principalmente a porção inferior dos membros dos cavalos. Isso significa que diferentes fatores podem estar envolvidos no surgimento e na manutenção das lesões.
Os sinais iniciais podem incluir queda de pelos, descamação, vermelhidão, crostas e sensibilidade na região afetada.
Em casos mais avançados, podem aparecer secreção, dor, espessamento da pele, proliferação de tecido e até claudicação, comprometendo diretamente o conforto e o desempenho do animal.
Por ser uma condição multifatorial, é fundamental que a avaliação veterinária busque identificar os fatores predisponentes, perpetuantes e primários envolvidos em cada caso.
Fatores de risco para dermatite de quartela
Alguns cavalos apresentam maior predisposição à dermatite de quartela devido a características físicas, genéticas ou ambientais.
Raças e pelagem abundante nos membros
Cavalos de raças de tração ou animais com muita pelagem nas pernas, as chamadas “plumas”, podem ter maior dificuldade para manter a região seca e limpa.
O pelo denso pode reter lama, umidade e sujeira, além de dificultar a inspeção visual diária da pele.
Membros despigmentados
Áreas de pele clara, como patas brancas, podem apresentar maior sensibilidade em alguns animais.
Essas regiões também podem ser mais suscetíveis a irritações, queimaduras solares e determinados tipos de inflamação cutânea.
Umidade, lama e higiene inadequada
A permanência prolongada em áreas com lama, cama úmida, fezes, urina ou pouca ventilação pode agravar problemas de pele.
Também é importante evitar o acúmulo de umidade nas quartelas após banhos, exercícios, chuva ou contato com pastagens molhadas.
Parasitas, alterações bacterianas e outras causas
A dermatite de quartela pode estar associada a diferentes causas, incluindo parasitas, desequilíbrios bacterianos, irritações de contato, trauma repetitivo, fotossensibilização e outras doenças dermatológicas.
Por esse motivo, tratar apenas a aparência das lesões sem investigar a causa pode levar a recidivas e dificuldades de controle.
Dicas práticas para proteger a pele dos equinos
O manejo preventivo é uma das ferramentas mais importantes para reduzir os riscos de alterações dermatológicas nos cavalos.
1. Mantenha baias e piquetes secos
Evite que o cavalo permaneça por longos períodos em locais com excesso de lama ou acúmulo de água.
As baias devem ser mantidas limpas, secas e com cama adequada. Fezes e urina precisam ser removidas regularmente para reduzir o contato da pele com substâncias irritantes.
Sempre que possível, ofereça áreas secas para descanso e circulação do animal.
2. Faça uma boa higiene após o trabalho
Após exercícios intensos ou dias quentes, o suor deve ser removido de forma cuidadosa.
Quando houver banho, é fundamental secar completamente o cavalo, especialmente nas dobras da pele e nas regiões inferiores dos membros.
A umidade residual pode favorecer irritações e criar condições inadequadas para a recuperação da barreira cutânea.
3. Inspecione diariamente as quartelas
A inspeção diária é essencial, principalmente em cavalos com muita pelagem nos membros.
Observe se há crostas, falhas de pelo, vermelhidão, odor, sensibilidade, inchaço, secreção ou sinais de dor ao toque.
Quanto mais cedo uma alteração for identificada, maiores são as chances de evitar a evolução para lesões mais graves.
4. Tenha atenção especial às “plumas”
Em animais com pelagem abundante nas pernas, a sujeira e as crostas podem ficar escondidas por vários dias.
Quando há lesões ativas, o médico-veterinário pode recomendar a tosquia da área afetada. Isso facilita a limpeza, a secagem, a observação da pele e a aplicação de tratamentos tópicos.
Nunca faça procedimentos agressivos sem orientação profissional.
5. Faça a limpeza de forma suave
Ao encontrar crostas ou regiões lesionadas, não tente arrancar as crostas a seco.
Essa prática pode causar dor, sangramento e piora da inflamação.
O ideal é utilizar produtos veterinários adequados e seguir a orientação do médico-veterinário para amolecer as crostas, higienizar a região e aplicar o tratamento mais indicado para aquele caso.
6. Proteja áreas sensíveis do sol
Cavalos com focinho, membros ou outras áreas despigmentadas podem ser mais sensíveis à radiação solar.
Em períodos de alta exposição ao sol, o uso de medidas de proteção física, manejo de horários e produtos específicos pode ser recomendado pelo médico-veterinário.
Conclusão
Cuidar da pele e da pelagem dos equinos exige observação diária, higiene adequada e controle rigoroso do ambiente.
A pele do cavalo é um reflexo direto do manejo. Manter baias limpas, reduzir o contato prolongado com lama, secar corretamente após banhos e exercícios e inspecionar os membros com frequência são atitudes simples que ajudam a prevenir problemas dermatológicos importantes.
Produtos de qualidade, desenvolvidos para os desafios da pele animal, podem ser aliados relevantes na rotina de cuidados. Mas, diante de lesões persistentes, crostas, secreção, dor, inchaço ou manqueira, a avaliação de um médico-veterinário é indispensável.
Importante: este conteúdo possui caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Problemas de pele em equinos podem ter diversas causas e exigem diagnóstico individualizado para que o tratamento seja seguro e eficaz.
Referências bibliográficas
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