Por: Equipe Pellevet | Vexa Animal
A pele é o maior órgão do corpo dos animais de companhia e atua como a primeira linha de defesa contra as agressões do ambiente.
Ainda assim, muitas vezes os cuidados com a pele só recebem atenção quando o animal já apresenta sinais como coceira intensa, vermelhidão, descamação ou queda de pelos. Para tutores e médicos-veterinários, compreender como funciona a barreira cutânea é um passo essencial para promover mais saúde, conforto e qualidade de vida a cães e gatos.
Neste artigo, explicamos o que a ciência diz sobre a barreira cutânea, como falhas nessa proteção podem contribuir para doenças como a Dermatite Atópica Canina e quais cuidados ajudam a fortalecer a pele do seu pet.
A ciência por trás da barreira cutânea
A camada mais externa da pele, conhecida como estrato córneo, costuma ser comparada a uma parede formada por tijolos e argamassa.
Os “tijolos” são as células mortas da pele, chamadas de corneócitos. Já a “argamassa” é composta por uma mistura complexa de lipídios, principalmente ceramidas, colesterol e ácidos graxos livres [1].
Quando essa estrutura está íntegra, ela ajuda a impedir a perda excessiva de água, preservando a hidratação da pele. Além disso, atua como uma barreira contra a entrada de alérgenos, bactérias, fungos e outros agentes externos [2].
Porém, pesquisas demonstram que animais com predisposição a alergias podem apresentar alterações estruturais e bioquímicas nessa barreira.
Um estudo publicado na revista Veterinary Dermatology avaliou os lipídios presentes na pele de cães e identificou que animais com Dermatite Atópica apresentam quantidades significativamente menores de ceramidas específicas, como as ceramidas 1 e 9, quando comparados a cães saudáveis [3].
Essa deficiência lipídica pode aumentar a permeabilidade da pele, facilitando a entrada de alérgenos ambientais, como ácaros da poeira e pólens. Como consequência, o sistema imunológico pode reagir de forma exagerada, desencadeando inflamação e coceira intensa [4].
Dermatite atópica: quando a barreira falha
A Dermatite Atópica Canina é uma doença inflamatória crônica, frequentemente associada à coceira, e possui forte componente genético [1].
Segundo as diretrizes do International Committee on Allergic Diseases of Animals (ICADA), o tratamento moderno da atopia não deve se limitar ao controle da inflamação com medicamentos. Também é importante adotar estratégias que auxiliem na reparação e manutenção da barreira cutânea [5].
Quando essa proteção natural está fragilizada, a pele se torna mais vulnerável à entrada de substâncias irritantes e alérgenos. Além disso, pode ocorrer um desequilíbrio no microbioma da pele.
Isso ajuda a explicar por que cães alérgicos frequentemente desenvolvem infecções secundárias causadas por bactérias, como Staphylococcus pseudintermedius, e leveduras, como Malassezia pachydermatis. Essas infecções podem agravar ainda mais a coceira, a vermelhidão e o desconforto do animal [1] [2].
Dicas práticas: como proteger a pele do seu pet
A dermatologia veterinária moderna reforça a importância do cuidado tópico como parte da rotina de manutenção da saúde da pele [4].
Confira algumas medidas importantes para proteger a barreira cutânea do seu animal:
1. Banhos terapêuticos e hidratação
O uso de shampoos adequados ajuda a remover mecanicamente alérgenos e impurezas presentes na superfície da pele.
As diretrizes internacionais recomendam o uso de produtos não irritantes, associados à hidratação adequada [5]. Produtos formulados com ceramidas e ácidos graxos essenciais podem contribuir para a reposição da camada lipídica da pele de animais predispostos a alergias [4].
2. Nutrição adequada
A alimentação tem papel importante na saúde da pele e da pelagem.
A suplementação com ácidos graxos essenciais, especialmente Ômega 3 e Ômega 6, pode contribuir para a qualidade da pelagem e para o controle da inflamação cutânea, sempre com orientação de um médico-veterinário [1].
3. Controle rigoroso de ectoparasitas
Pulgas e carrapatos podem causar microlesões na pele e introduzir alérgenos potentes, como a saliva da pulga.
Por isso, o uso contínuo de antiparasitários é indispensável, especialmente para animais com pele sensível ou histórico de alergias [5].
4. Evite produtos agressivos
Banhos em excesso ou o uso de produtos inadequados, como sabonetes humanos, detergentes e shampoos não formulados para pets, podem remover os lipídios naturais da pele.
Isso favorece o ressecamento e compromete a barreira cutânea. Prefira sempre produtos veterinários desenvolvidos para o pH e as necessidades específicas da pele de cães e gatos.
Conclusão
A prevenção das dermatites começa de fora para dentro.
Entender que a pele é um escudo ativo, que precisa de hidratação, nutrição e cuidados específicos, pode fazer uma grande diferença na qualidade de vida do seu animal.
O uso de produtos de alta qualidade, como os oferecidos pela Pellevet, aliado ao acompanhamento veterinário regular, ajuda a manter a barreira cutânea fortalecida, a pelagem mais bonita e o pet mais protegido contra desconfortos como coceira, irritação e ressecamento.
Importante: este conteúdo possui caráter informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Caso seu pet apresente coceira persistente, vermelhidão, feridas, descamação ou queda de pelos, procure atendimento veterinário.
Referências bibliográficas
[1] Miller, W. H., Griffin, C. E., & Campbell, K. L. (2013). Muller and Kirk’s Small Animal Dermatology (7th ed.). Elsevier.
[2] Marsella, R. (2012). An update on the treatment of canine atopic dermatitis. Veterinary Medicine: Research and Reports, 3, 85–91.
[3] Reiter, L. V., Torres, S. M. F., & Wertz, P. W. (2009). Characterization and quantification of ceramides in the nonlesional skin of canine patients with atopic dermatitis compared with controls. Veterinary Dermatology, 20(4), 260–266.
[4] Kwochka, K. W. Defective Skin Barrier in Canine Atopic Dermatitis.
[5] Olivry, T., DeBoer, D. J., Favrot, C., Jackson, H. A., Mueller, R. S., Nuttall, T., & Prélaud, P. (2015). Treatment of canine atopic dermatitis: 2015 updated guidelines from the International Committee on Allergic Diseases of Animals (ICADA). BMC Veterinary Research, 11, 210.
